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terça-feira, 26 de agosto de 2025

Líbano será a primeira viagem de Leão XIV

Leão XIV convocou os católicos para uma jornada de oração e de jejum pela paz na sexta-feira passada. É evidente que os católicos acreditam na força das suas preces dirigidas a Deus pela paz. Contudo, não basta.

A paz é uma das prioridades deste Papa. Logo no início do seu Pontificado, nas primeiras palavras que dirigiu à multidão da varanda de S. Pedro, desejou “uma paz desarmada e uma paz que desarma”. Nesta terça-feira o Vaticano anunciou que o tema da primeira mensagem de Leão XIV para o Dia Mundial da Paz, que a Igreja Católica celebra no primeiro dia de cada ano, será o mesmo: “A paz esteja com todos vós: rumo a uma paz ‘desarmada e desarmante’”.

Entretanto, a BBC noticiou que a Santa Sé está a preparar uma visita de Leão XIV ao Líbano, que será a sua primeira viagem internacional. Tanto João Paulo II como Bento XVI visitaram o Líbano. Curiosamente, esse país não foi visitado por Francisco.

“O Líbano é um país multicultural e multirreligioso e é um lugar de diálogo”, recordou o arcebispo maronita libanês Paul Nabil El-Sayah, em declarações à BBC. “É um dos raros ambientes onde muçulmanos e cristãos vivem juntos e se respeitam”, pelo que, ao escolher este país para a sua primeira viagem apostólica, o Papa “envia uma mensagem para a região”, conclui o arcebispo Sayah.

Dada a proximidade do Líbano com a Faixa de Gaza, é evidente que as palavras do Papa procurarão ter efeito no conflito que envolve Israel e a Palestina. Para tal se verificar, é importante que Leão XIV formule, nas palavras ou nos gestos, algo impactante.

A primeira viagem de um Papa é uma oportunidade única para comunicar o que considera relevante no mundo em que atua, como aconteceu com a ida de Francisco a Lampedusa. Leão XIV saberá aproveitar a visita ao Líbano para defender a paz e promover a reconciliação entre os povos.

domingo, 20 de julho de 2014

Gaza e o Papa

Foto retirada daqui
Os assassinatos bárbaros de três jovens israelitas e a execução pelo fogo de um palestiniano fizeram despoletar, novamente, a guerra na Faixa de Gaza. Puseram fim a um período de alguma acalmia nas difíceis relações israelo-palestinianas. Mataram as sementes de reconciliação e paz que o Papa espalhou durante a sua visita àquela região e que germinaram no encontro entre o líder palestiniano, Mahmud Abbas, e o presidente israelita, Shimon Peres, com a bênção do Patriarca de Constantinopla, Bartolomeu.

Nessas circunstâncias o Papa disse que “é preciso mais coragem para fazer a paz do que a guerra”. A evolução dos acontecimentos demonstraram que não houve nem coragem, nem discernimento para calar as armas – e dá a ideia de que os esforços do Papa de nada valeram. Porém, para o seu amigo judeu, Abraham Skorka, “o que está a acontecer não atesta o fracasso da iniciativa do Papa Francisco”. Pelo contrário, “confirma dramaticamente que é necessário continuar a promover ainda mais gestos de encontro para que a coragem prevaleça sobre o ódio irracional”.

Num simpósio sobre a Paz, que terminou ontem em Madrid, Rodríguez Zapatero propôs a criação de uma “autoridade religiosa global” que se opusesse a toda e qualquer violência e promovesse o pluralismo religioso, a paz e a liberdade. Para o antigo Presidente do Governo de Espanha, nenhuma religião pode pretender que as suas crenças sejam as únicas verdadeiras e que todas as outras formas de acreditar tenham de ser combatidas e eliminadas.

Foi esta perspetiva que esteve na génese de todas as guerras santas da história e que os fanatismos de todas as religiões, ainda hoje, querem ressuscitar. Contudo, num mundo plural e tolerante “não há hereges” para Zapatero: “Há pessoas que pensam de maneira diferente ou têm diferentes ideias e em nome de nenhuma fé se pode apoiar o ódio e o fanatismo”.

O Vaticano II resgatou a Igreja da intransigência e colocou-a na estrada da abertura ao diferente, embora ainda haja franjas no seu interior que resistem à renovação conciliar. Meio século depois, o Papa Francisco continua a desafiar os católicos a saírem dos seus muros e a percorrerem esse caminho de tolerância e diálogo inter-religioso.

(Texto publicado no Correio da Manhã de 18/07/2014)