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quarta-feira, 6 de agosto de 2025

As questões que inquietam os jovens


Leão XIV encontrou-se com mais de um milhão de jovens em Tor Vergata, Roma, no domingo passado. Foi a maior multidão a que teve de se dirigir até agora. Tendo este encontro decorrido no âmbito do Jubileu da Esperança, o Papa acolheu os anseios próprios da juventude e desafiou-os a contagiarem com a sua fé todos aqueles com quem se cruzarem na vida.

O Papa durante a homilia começou por falar em italiano, depois passou pelo espanhol, pelo inglês, e, para terminar, falou novamente em italiano. São as três línguas que domina. O inglês é a sua língua materna. Porque passou vinte anos no Perú, fala bem o espanhol. Nos últimos anos tem vivido em Itália, o que o levou a desenvolver o italiano.

Abordou as aspirações dos jovens a “algo mais” em italiano: “Sentimos uma sede tão grande e ardente que nenhuma bebida deste mundo pode saciar”. Já em espanhol recordou as palavras do Papa Francisco em Lisboa, na Jornada Mundial da Juventude: “Não nos alarmemos se nos encontramos intimamente sedentos, inquietos, incompletos, desejosos de sentido e de futuro”.

Foi em inglês, porém, que Leão XIV identificou claramente as questões que traduzem a busca de verdade que habita o coração dos jovens: “O que é a verdadeira felicidade? Qual é o verdadeiro sentido da vida? O que nos pode libertar de sermos capturados pela falta de sentido, pelo tédio e pela mediocridade?”

A Igreja tem como primordial missão levar as pessoas a encontrarem-se com Jesus Cristo, para nele descobrirem respostas para as questões que as habitam. Aqueles que vão trilhando esse caminho encontram, naturalmente, formas de dar testemunho da sua experiência, contagiando outros e desafiando-os a fazerem essa descoberta. Se os jovens não descobrem na Igreja resposta para as suas inquietações, é porque nela não encontram testemunhos credíveis para tal.

quarta-feira, 24 de julho de 2024

Jornada Mundial da Juventude, o que ficou?

Já passou um ano desde que os símbolos da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) chegaram a Lisboa. A Câmara Municipal de Lisboa assinalou esta efeméride na segunda-feira, entregando aos trabalhadores que estiveram envolvidos nesse evento um reconhecimento do Papa Francisco.

Mais importante do que celebrar o que aconteceu há um ano é verificar o que significou a JMJ para o país e quais os seus efeitos, nomeadamente junto da juventude. Já são conhecidos os impactos económicos da JMJ: segundo um estudo do Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade de Lisboa, a JMJ teve um impacto de, pelo menos, 370 milhões de euros. A Fundação JMJ teve um lucro de mais de 35 milhões de euros.

Há um ano, neste espaço de opinião, expressei o desejo de que “a JMJ deixasse uma marca indelével na juventude portuguesa”. Desejei também que esse efeito viesse a ser verificado para “avaliar o resultado do investimento feito na sua preparação e realização”.

Numa rede social em que partilhei esse texto, Cristina Sá Carvalho, docente da Faculdade de Teologia, deixou o seguinte comentário: “Será crucial proceder a uma avaliação séria do impacto pastoral, vocacional e institucional da JMJ: fala-se continuamente, à exaustão, a partir das fontes e metodologias mais variadas, do impacto económico, mas não é para promover o turismo que os Papas viajam. Poderia seguir-se o excelente e credível exemplo de Colónia e de Madrid e fazer-se posteriormente a devida reflexão”.

Até hoje, não consta que a Igreja tenha promovido qualquer estudo para avaliar o impacto pastoral da JMJ em Portugal: na participação juvenil na vida da Igreja, por exemplo, ou no incremento das vocações. Se algum trabalho existe, seria bom dar-lhe a devida divulgação. Se não foi feito, é muito mais importante fazê-lo do que comemorar a efeméride.

(Texto publicado no Jornal de Notícias de 24/07/2024)