Mostrar mensagens com a etiqueta Fratelli tutti. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Fratelli tutti. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 15 de maio de 2024

Com cristãos divididos o Mundo é pior


O Papa Francisco propôs a esperança como mensagem central do Ano Santo que se celebrará em 2025. Na semana passada, publicou a Bula de proclamação do Jubileu a que deu o título “Spes non confundit” (A Esperança não engana).

É uma tradição antiga da Igreja o Papa proclamar um Ano Santo a cada 25 anos do nascimento de Jesus, ou da sua Paixão, Morte ou Ressurreição. Em 2033, por exemplo, celebrar-se-ão os dois mil anos destes acontecimentos fundamentais para a fé cristã.

Para a vivência do Ano Santo, o Papa, além de convocar a alegria jubilar, expressa igualmente o seu desejo de ver sinais de esperança a acontecer no mundo durante este período.

Ao propor oito sinais, com destaque para a paz, o Papa junta três apelos. Volta, num regresso à Encíclica “Fratelli tutti”, a pedir que o dinheiro gasto em armamento seja aplicado “num fundo global para acabar de vez com a fome”. Apela também aos países ricos para que perdoem ou reformulem “dívidas injustas e insolventes” dos países pobres.

Finalmente, para o interior do cristianismo, apela aos “cristãos do Oriente e do Ocidente para darem resolutamente um passo rumo à unidade em torno duma data comum para a Páscoa”. Este ano, enquanto os católicos e cristãos ocidentais celebraram a Páscoa no dia 31 de março, os ortodoxos só a celebraram a 5 de maio. Dá-se a coincidência de, em 2025, os diferentes calendários cristãos fixarem o mesmo dia para a Páscoa: 20 de abril.

De facto, se as igrejas cristãs não se conseguem entender em relação à data da Páscoa, como podem exigir o entendimento entre as nações? A divisão entre os cristãos é um dos maiores contratestemunhos dos seus discursos, descredibilizando-os.

Oxalá o Jubileu do ano 2025 contribua para uma maior coerência entre cristãos. Só dessa forma poderão ser semeadores da esperança e da alegria no Mundo.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

Resistir às “sereias do populismo”

A democracia e a liberdade são como a saúde, só se valorizam quando se perdem. Cerca de cem anos após a instauração das ditaduras na Europa, voltam a ouvirem-se vozes a contestar os sistemas democráticos e a crescerem os adeptos de sistemas autocráticos, alimentados pelas notícias falsas e os populismos.

É certo que, como há cem anos, essas correntes alimentam-se de líderes políticos que comunicam mal as suas tentativas de resolver os problemas das populações. Que não parecem entregar-se à causa pública com dedicação e altruísmo. Que são acusados de defender interesses próprios ou do partido em vez do bem comum.

Então as populações deixam-se seduzir pelo canto das sereias que lhes dizem o que querem ouvir. O Papa Francisco tem denunciado essas “sereias do populismo” e apelado a que surjam políticos com mais sensibilidade para desenvolverem políticas que as pessoas sintam como melhores.

“Para se tornar possível o desenvolvimento duma comunidade mundial capaz de realizar a fraternidade a partir de povos e nações que vivam a amizade social, é necessária a política melhor, a política colocada ao serviço do verdadeiro bem comum”, escreve o Papa da sua última encíclica “Fratelli tutti”.

Os líderes populares, para o Papa, são aqueles que guiam o povo num “projeto duradouro de transformação e crescimento” da sociedade no seu todo. Degenera em populismo quando instrumentalizam o povo em função dos interesses próprios.

Em relação às propostas políticas que semeiam “o ódio e o medo” o Papa diz que “é necessário estar alerta, reagir a tempo e corrigir imediatamente o rumo”. Compreende-se porque é que os populistas, que cavalgam o medo e o ódio nas suas propostas eleitorais, não gostam do Papa. Neste ano, com tantas eleições em Portugal, não nos deixemos encantar pelas “sereias do populismo”.