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quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Leão continua o que Francisco lançou

O acontecimento mais marcante deste ano para a vida da Igreja Católica foi o falecimento do Papa Francisco. Para muitos – particularmente para os que se aproximaram ou reaproximaram da Igreja – deixou-lhes um sentimento de orfandade que Leão XIV não conseguiu colmatar: têm ainda dúvidas se ele dará continuidade ao dinamismo e à reforma que Francisco introduziu.

É evidente que o estilo do atual Papa é totalmente diferente do anterior. Mais sereno e contido nas suas intervenções. Mais cauteloso e muito preocupado em criar pontes, em superar divisões, para evitar cismas no interior da Igreja. Contudo, embora em alguns aspetos já tenha feito certas cedências aos “retrocedistas”, tem dado sinais da sua sintonia com Francisco e do seu empenhamento em consolidar, e levar por diante, a renovação por ele iniciada.

Este ano assinalaram-se duas efemérides relativas ao primeiro e ao último concílio ecuménico da História da Igreja. Um nos seus inícios – os 1700 anos do Concílio de Niceia; outro mais recente – os 60 anos do Concílio Vaticano II.

Seis décadas após a conclusão do Vaticano II verifica-se, sobretudo no Ocidente, uma diminuição da prática religiosa. Este declínio para uns é o resultado da não implementação do Concílio; para outros, é o próprio Vaticano II a causa desta situação.

Entre estas duas tentações – a da “nostalgia pelo passado e a [da] expectativa de um futuro incerto” – Frei Roberto Pasolini conclui que a Igreja está a ser chamada a viver processos de renovação baseados na confiança, no diálogo e na fidelidade ao Evangelho. Frei Roberto expôs esta convicção à Cúria Romana antes do Natal, numa meditação de Advento.

Foi este dinamismo que o Papa Francisco procurou implementar na Igreja e que Leão XIV já demonstrou querer continuar e consolidar.

Votos de um bom ano de 2026!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

A relevância da Turquia para a Igreja

O concílio de Niceia, fresco no Salão Sistino, Vaticano
Foto: Wikimedia Commons
A região da atual Turquia foi o palco dos principais debates doutrinais dos primeiros séculos do cristianismo. Entre o século IV e o século IX, foi nesta área geográfica que se realizaram os oito primeiros concílios ecuménicos da Igreja, como recordou há dias Leão XIV no início da sua primeira viagem apostólica à Turquia e ao Líbano.

Esta viagem foi anunciada pelo Papa Francisco em novembro de 2024, com o objetivo de celebrar os 1700 anos do Concílio de Niceia (325), o primeiro ecuménico, porque todos os bispos foram convocados para refletirem questões teológicas e disciplinares a aplicar a toda Igreja.

Nos inícios do século IV discutia-se a divindade de Jesus e se tinha a mesma natureza divina do Pai. Foi em Niceia que se definiu que Jesus é verdadeiramente Deus e a sua consubstancialidade com o Pai. Essa formulação foi introduzida no Credo, o qual elenca os principais conteúdos da fé cristã. Com pequenas alterações introduzidas alguns anos depois (381) em Constantinopla, a atual Istambul, é rezada todos os domingos pelos católicos na missa. É também professada pela Igreja Ortodoxa, bem como por outras igrejas cristãs, aquelas que aceitam a validade dos concílios da igreja primitiva.

O Concílio de Niceia celebrou-se na atual İznik, na província turca de Bursa, que Leão XIV visitou sexta-feira. Realizou-se apenas doze anos após a proclamação do Édito de Milão (313) em que Constantino declarou o Império Romano como neutro em relação a qualquer religião, pondo fim às perseguições que fustigaram sobretudo os cristãos.

Em Niceia consolidaram-se alguns dos conteúdos fundamentais da fé cristã. Ali puderam reunir-se bispos de todo o mundo, graças à liberdade religiosa recentemente instaurada no Império Romano. Por isso a Turquia é tão importante para o cristianismo e justifica uma visita do Papa.