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sexta-feira, 2 de setembro de 2016

O Papa e o Facebook

Papa Francisco recebe Mark Zuckerberg
Foto retirada daqui
O papa Francisco recebeu Mark Zuckerberg, o fundador e CEO da rede social Facebook. Conversaram sobre “como usar as tecnologias de comunicação para aliviar a pobreza, promover uma cultura do encontro e fazer com que uma mensagem de esperança possa chegar especialmente às pessoas mais necessitadas”, refere um comunicado do porta-voz da Santa Sé.

O Papa já assumiu que não sabe utilizar o computador e que o seu aparelho preferido é a rádio, porque só tem dois botões, um para sintonizar e outro para o volume. Mesmo assim, avalia como positivas as redes sociais e a Internet para a vivência da fé. O que não o impede de as considerar envoltas em muitos perigos e riscos, em sintonia aliás com a reflexão que a Igreja tem produzido sobre esta temática desde 2002, o ano em que foram publicados os primeiros documentos dedicados especificamente à relação entre a Igreja e a Internet e à “ética na rede”.

Na mensagem para o dia mundial das comunicações de 2014 o Papa reconhecia que a “Internet pode oferecer maiores possibilidades de encontro e de solidariedade entre todos; e isto é uma coisa boa, é um dom de Deus”. E já na mensagem deste ano lembrou que “as redes sociais são capazes de favorecer as relações e de promover o bem da sociedade, mas podem também levar a uma maior polarização e divisão entre as pessoas e os grupos”.

Todos os meios de comunicação social, e particularmente as novas tecnologias, provocam duas reações típicas no seio da Igreja: uns reagem liminarmente à sua utilização e realçam os seus perigos; outros aderem a eles de forma ingénua, inconsciente e acrítica. Ora, a melhor atitude em relação às novas tecnologias e à Internet deverá situar-se algures entre a condenação moralista e a excessiva confiança. Tal como tem feito o Papa, deve promover-se a serena consciência das suas oportunidades e uma atitude vigilante em relação aos seus riscos.

(Texto publicado no Correio da Manhã de 02/09/2016)

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Papa e tecnologia

Foto retirada daqui
A Igreja precisa de atualizar a linguagem da sua pregação para ser mais eficaz. Jesus Cristo utilizou as imagens que os seus ouvintes entendiam, da agricultura, da pastorícia ou da pesca. Hoje, num mundo dominado pela tecnologia, as pessoas, sobretudo em meios urbanos, estão cada vez mais distantes do mundo rural e, por isso, serão muito mais sensíveis a comparações que utilizem os seus utensílios de todos os dias.

O Papa Francisco diz que não é muito dado às tecnologias. Já confidenciou que a rádio é ideal porque só tem dois botões: um para ligar e aumentar o volume e outro para sintonizar. Todavia, tem utilizado metáforas tecnológicas. No sábado, numa vídeo-mensagem dirigida aos participantes no jubileu dos adolescentes, no estádio Olímpico de Roma, disse de aparelho na mão que uma vida sem Cristo é como “um telemóvel sem rede”. No dia seguinte, durante a homilia, quando falava sobre o “desejo de liberdade” acrescentou: “A vossa felicidade não tem preço, nem se comercializa: não é uma ‘app’ que se descarrega do telemóvel. Nem a versão mais atualizada vos poderá ajudar a tornar-vos livres e grandes no amor. A liberdade é outra coisa”.

Na exortação Amoris Lætitia o Papa refere, como um desafio à família, a transitoriedade da relações humanas, dos que “crêem que o amor, como acontece nas redes sociais, se possa conectar ou desconectar ao gosto do consumidor e, inclusive, bloquear rapidamente” (nº 39).

Da mesma forma que no passado uma certa ruralidade envolvia todos as pessoas, hoje a tecnologia está presente em todos os ambientes. A Igreja e os seus pastores devem estar atentos a esta tendência e, tal como o Papa, em vez de insistirem numa linguagem de outros tempos, devem propor outra que esteja em linha com as vivências de hoje. Jesus Cristo não hesitaria em fazê-lo para anunciar o Reino dos Céus – o qual, hoje, eventualmente seria a República de Deus...

(Texto publicado no Correio da Manhã de 29/04/2016)

sexta-feira, 18 de março de 2016

Igreja e tecnologia


Foto retirada daqui
O Vaticano está atento às novas tecnologias e usa-as para espalhar a sua mensagem. Após o sucesso da presença do Papa Francisco no Twitter, vai agora ter uma conta na rede social de partilha de fotografias, o Instagram, com o nome Franciscus. Essa presença inicia-se amanhã, dia de S. José, quando se comemora o terceiro aniversário da missa de início do ministério do Papa Francisco.

Para além desta iniciativa, a Santa Sé assumiu a aplicação portuguesa “Click to Pray” e deu-lhe dimensão mundial. Passou a estar disponível, para além do português, em castelhano, francês e inglês. E, graças a ela, cristãos de todo o mundo podem rezar três vezes ao dia, em união com as intenções do Santo Padre.

Na verdade, estas ditas novas tecnologias só o são para os que viveram num mundo em que elas não existiam. Para os mais novos elas são a realidade com que se habituaram a conviver. D. Claudio Maria Celli, presidente do Pontifício Conselho das Comunicações Socias, já há alguns anos contava que foi falar a um congresso sobre evangelização e novas tecnologias. Foi, então, corrigido por um jovem que lhe disse: “Novas para si, que é velho! Para mim não são nada novas”.

Uma outra transformação está também a verificar-se no que se passa pela Internet. Há bem pouco tempo falava-se de “realidade virtual”, de “comunidades virtuais” e até de “paróquias virtuais”. Cedo, porém, se começou a perceber que o que acontece na rede é cada vez menos virtual e é, cada vez mais, uma extensão da vida real – um espelho da realidade, até. Por isso, as comunidades virtuais converteram-se em redes sociais. E, tal como tudo na vida, o que acontece e se transmite on-line pode ter os seus efeitos positivos, mas pode igualmente ampliar e acentuar efeitos perversos. Compete também à Igreja aproveitar todas as potencialidades das ainda consideradas novas tecnologias e alertar para os seus perigos.

(Texto publicado no Correio da Manhã de 18/03/2016)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Os pobres em Davos

Foto retirada daqui
Os mais destacados líderes políticos e empresários do mundo refletem sobre a “quarta revolução industrial”. Em Davos, uma pequena localidade dos alpes suíços, decorre o 46º Fórum Económico Mundial, que se iniciou na quarta e termina amanhã. A primeira revolução industrial foi provocada pela máquina a vapor, a segunda pela eletricidade e a terceira pela eletrónica e robótica. A quarta desenvolve-se devido à combinação de diversos fatores e das tecnologias digitais.

Numa mensagem dirigida ao Fórum, o Papa Francisco defende “a necessidade de criar novos modelos empresariais que, enquanto promovem o desenvolvimento de tecnologias avançadas, sejam capazes também de utilizá-las para criar trabalho digno para todos, manter e consolidar os direitos sociais e proteger o meio ambiente”.

O Papa aproveitou ainda para apelar aos mais ricos e poderosos do mundo que não esqueçam os mais pobres. E mais uma vez ergueu a sua voz para denunciar a “cultura do descarte” e da indiferença perante a exclusão e o sofrimento de tantas pessoas, em todo o mundo. “Não devemos permitir jamais que a cultura do bem-estar nos anestesie” Desafiou os que têm nas mãos os destinos do mundo “a garantir que a vinda da ‘quarta revolução industrial’, os efeitos da robótica e das inovações científicas e tecnológicas não levem à destruição da pessoa humana – ao ser substituída por uma máquina sem alma – nem à transformação do nosso planeta num jardim vazio para deleite de poucos escolhidos”.

Na verdade, uma economia e uma tecnologia que não colocam a pessoa humana no centro das suas preocupações, rapidamente resvalam para uma “economia que mata” e uma tecnologia que gera ainda mais exclusão social. O Papa deseja que o Fórum contribua para corrigir essa tendência e promova “a defesa e salvaguarda da criação” e um “progresso que seja mais saudável, mais humano, mais social, mais integral”.

(Texto publicado no Correio da Manhã de 22/01/2016)

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Escolas em rede

Foto retirada daqui
A Igreja não deve limitar-se a denunciar o que está errado, tem de comprometer-se na promoção de soluções para os problemas do mundo em que está inserida. Disso é um bom exemplo a atuação do Papa Francisco. Quando ainda era cardeal de Buenos Aires, para além de estar atento ao que acontecia à sua volta, envolvia-se em projetos para promover a inclusão e a sadia convivência entre diferentes mundividências.

O cardeal Bergoglio acreditava que a construção de um mundo melhor teria de envolver a juventude. As situações de violência, de marginalização e de egoísmo que assolam o mundo exigem um investimento numa educação intercultural e inter-religiosa que habitue os mais jovens a conviver e a respeitar o diferente. Com esse objetivo impulsionou os programas “Escola de Vizinhos” e “Escolas Irmãs”. No primeiro os estudantes eram desafiados a identificar as problemáticas que afetavam a escola, o bairro ou a cidade e, através do seu envolvimento numa “perspetiva construtiva”, apresentarem propostas e colaborarem na sua resolução. O segundo, promovia redes entre escolas e estudantes, em contextos diferentes, que partilhavam experiências e iniciativas, entreajudando-se.

Estas duas iniciativas estiveram na génese do “Scholas occurrentes”, um organismo integrado na Pontifícia Academia das Ciências do Vaticano, que tem como principal objetivo promover a inclusão social e a cultura do encontro através da tecnologia, da arte e do desporto. O “Scholas” agrega já mais de quatrocentas mil escolas, numa rede que abarca os cinco continentes e dedica uma especial atenção às que têm menores recursos. Terminou ontem o seu congresso mundial, que reuniu em Roma alunos, professores e peritos de quarenta países. Foram apresentados projetos educativos de sucesso e diferentes exemplos de atividades desportivas e artísticas, as quais promovem a atenção às necessidades do outro e à cultura do encontro. E acalentam a esperança de um futuro mais pacífico para o mundo.

São dinâmicas como esta que desafiam os cristãos e a sociedade a abandonar a esterilidade de uma crítica ácida e destrutiva. E que os mobilizam para vencer a resignação perante os males do mundo e a acreditar que é sempre possível fazer alguma coisa, mesmo perante os problemas mais difíceis e complexos.

(Texto publicado no Correio da Manhã de 06/02/2015)