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sexta-feira, 15 de julho de 2016

A fé do treinador

Fernando Santos, selecionador nacional de futebol
Foto: Carlos Barroso, retirada 
daqui
Na conferência de imprensa da final do Euro 2016, Fernando Santos, o selecionador nacional de futebol, surpreendeu os jornalistas ao ler um texto antes de responder às suas questões. Esse texto foi escrito quando muitos criticavam a seleção e desconfiavam do seu sucesso. Nessa altura, todavia, ele continuava a acreditar e escreveu o discurso da vitória.

Nas suas primeiras palavras agradeceu a Deus a vitória. Refere todos os que contribuíram para ela e as pessoas que lhe são mais próximas. Termina a dedicar a vitória a Jesus Cristo e à sua Mãe e a agradecer-lhe por “ter sido convocado” e por lhe ter sido concedido “o dom da sabedoria, perseverança e humildade para guiar esta equipa e Ele a ter iluminado e guiado”.

É frequente muitos dos protagonistas do desporto rei terem gestos religiosos, como o sinal da cruz ao entrar em campo, e até agradecerem a Deus os seus sucessos. Contudo é muito raro ouvir-se testemunhar a fé com a clareza e a profundidade de Fernando Santos. As suas palavras não foram de circunstância, antes o resultado de uma vivência interior profunda que soube transmitir com verdade. Não foi pelo que disse, nem pela forma, mas pela sua autenticidade que recolheu os aplausos dos que assistiam.

Ficou também bem patente a sua leitura crente dos acontecimentos. Como crente, acredita que Deus lhe confiou a missão de conduzir a seleção nacional. Que não o abandonou, mesmo quando muitos dele desconfiavam. E, por isso, é com humildade que Fernando Santos recolhe o sucesso e o converte num voto de tom jesuítico: “Espero e desejo que seja para glória do Seu nome”. O lema proposto por S. Inácio de Loiola aos jesuítas é: “Ad maiorem Dei gloriam” (Para maior glória de Deus).

A Igreja Católica precisa de mais crentes que consigam dar testemunho da sua fé, desta forma autêntica e esclarecida, no púlpito dos meios de comunicação social.

(Texto publicado no Correio da Manhã de 15/07/2016)

sexta-feira, 17 de junho de 2016

O Euro e a paz

Reflexões dos bispos europeus sobre a paz mundial
Foto retirada daqui
Como é normal, o Europeu de Futebol em França domina as atenções dos europeus. Mas muitas outras coisas acontecem para além dos jogos de futebol. Fora dos campos têm marcado a atualidade os desacatos entre claques, as ameaças terroristas, o assassinato de dois polícias e, a contrastar com tudo isto, a saudável confraternização entre adeptos de Portugal e da Islândia.

O Euro deveria ser uma festa das nações europeias em torno do futebol. Infelizmente, há quem aproveite estes acontecimentos para semear a violência e o terror. Será sempre de realçar, por isso, quando povos tão distantes e diferentes como o islandês e o português gostam de se misturar num estádio e confraternizam entre si.

A comunidade europeia foi sonhada precisamente para promover a paz e prevenir a guerra no Velho Continente. Contudo, enquanto decorre este Euro, ventos de desagregação varrem a Europa. Os partidos eurocéticos crescem em quase todos os países. Os europeístas convictos não conseguem reinventar o projeto europeu. A Grécia esteve à beira de sair da construção europeia e, agora, é o Reino Unido que a poderá abandonar.

Cientes disto, os bispos europeus, reunidos em Bruxelas no início desta semana, renovaram a sua profissão de fé numa Europa unida e solidária. Em ordem à promoção da paz mundial, os bispos defenderam um maior investimento na prevenção da escalada da violência; uma paz enraizada no respeito pela dignidade da pessoa e da diversidade; e um maior investimento na segurança das pessoas, de forma a que estas possam permanecer nos seus países.

As reflexões dos bispos estão vertidas num documento que termina com 21 “recomendações” concretas, nas quais não é esquecido o papel fundamental que as igrejas e as religiões podem desempenhar na construção da paz. É um documento que os líderes europeus deveriam ler e refletir. A construção europeia tem de ser relançada.

(Texto publicado no Correio da Manhã de 17/06/2016)

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Futebol e corrupção

O cartão de sócio honorário do Papa
Foto retirada daqui
O Papa Francisco gosta de futebol e até torce por uma equipa: o San Lorenzo de Almagro de Buenos Aires. Tem falado da importância do desporto e do futebol em particular.

“O desporto não é somente uma forma de entretenimento, mas é também um instrumento para comunicar valores que promovem o bem da pessoa humana e ajudam na construção de uma sociedade mais pacífica e fraterna”, disse na mensagem pelo início do último Mundial de Futebol no Brasil. Na Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, utilizou várias metáforas do “futebolês”. Por exemplo, desafiou os jovens a serem protagonistas e a “jogar sempre ao ataque” para construir “um mundo melhor, um mundo de irmãos, um mundo de justiça, de amor, de paz, de fraternidade, de solidariedade”.

Apesar de valorizar o desporto, ele está consciente dos aspetos mais controversos e condenáveis em torno do fenómeno desportivo. “O desporto é importante, mas deve ser desporto autêntico! O futebol, como determinadas disciplinas, tornou-se um grande ‘business’! Trabalhai a fim de que não perca a sua índole desportiva” pediu às seleções de Itália e Argentina, numa audiência no dia 13 de agosto de 2013.

Em torno das competições desportivas movimentam-se milhões e, por isso, não é de estranhar que, de tempos a tempos, surjam suspeitas de corrupção, como as que ultimamente foram noticiadas envolvendo a FIFA. O Vaticano já lamentou que, mais uma vez, o futebol esteja sob suspeita e – sublinhando novamente a importância do desporto – apelou a que se tomem medidas para que o futebol mundial seja “limpo” de tudo o que o conspurca.

O Papa Francisco tem, por diversas vezes, criticado a corrupção. Admite que “todos somos pecadores, mas corruptos não”. Chegou mesmo a considerar a corrupção “um mal maior que o pecado” numa audiência que concedeu à Associação Internacional de direito penal, em Outubro do ano passado. “O corrupto não sente a sua corrupção. Acontece como com o mau hálito: dificilmente quem o tem se apercebe de o ter; são os outros que o sentem e que lho devem dizer” referiu nesse encontro.

Normalmente é assim. E parece que foi o que aconteceu com o senhor Joseph Blatter. Ou, então, terá sido o receio de vir a ser detido que o levaram a tomar a decisão de se demitir da FIFA.

(Texto publicado no Correio da Manhã de 05/06/2015)