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sexta-feira, 1 de julho de 2016

Vaticano e os pobres

Foto retirada daqui
O Papa Francisco dedica aos mais pobres uma atenção privilegiada. Na Evangelii Gaudium escreveu: “O Papa ama a todos, ricos e pobres, mas tem a obrigação, em nome de Cristo, de lembrar que os ricos devem ajudar os pobres, respeitá-los e promovê-los” (nº58).

No mesmo texto adverte que “o crescimento equitativo exige algo mais do que o crescimento económico, embora o pressuponha – requer decisões, programas, mecanismos e processos especificamente orientados para uma melhor distribuição dos rendimentos, para a criação de oportunidades de trabalho, para uma promoção integral dos pobres que supere o mero assistencialismo”.

Em sintonia com o Papa, o Pontifício Conselho Justiça e Paz promoveu, em 2014, um congresso para refletir sobre o investimento ao serviço do bem comum, na linha da Evangelii Gaudium. “A solidariedade com os pobres e com os excluídos estimulou-vos a refletir sobre uma forma emergente de investimento responsável, conhecida como Impact Investing”, disse então o Papa aos congressistas. E desafiou-os a “estudar formas inovadoras de investimento, que possam proporcionar benefícios às comunidades locais e ao ambiente circunstante”.

Durante esta semana reuniram-se no Vaticano académicos, políticos e clérigos para estudar o impacto dos investimentos no combate à pobreza. Este ano pretende-se aprofundar “como a Igreja Católica e outras instituições religiosas podem canalizar o resultado dos investimentos para sustentar a sua própria missão social”. E, também, como “ desenvolver estratégias para captar investimentos privados em ordem a servir os mais pobres e os mais vulneráveis”, disse o cardeal Peter Turkson, presidente da Justiça e Paz.

É importante que a Igreja, em relação à pobreza, vá vencendo a tentação do “mero assistencialismo”. E que saiba encontrar novas formas para financiar e gerir a luta contra as suas causas estruturais.

(Texto publicado no Correio da Manhã de 01/07/2016)

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Oração ecológica

Foto retirada daqui
O Papa Francisco estendeu ao mundo católico uma Jornada de Oração Mundial pela Criação, já celebrada pelos Ortodoxos. A partir deste ano, no dia 1 de setembro os católicos juntam-se aos ortodoxos para rezarem pelo ambiente. O Papa pretende que outras confissões cristãs, como os evangélicos e os anglicanos, se associem também a esta iniciativa. Deste modo, para além de um dia dedicado à ecologia, ele pretende que esta Jornada seja também ecuménica, de unidade entre todos os seguidores de Cristo.

“Vivemos num tempo em que todos os cristãos enfrentam idênticos e importantes desafios, diante dos quais, para ser mais críveis e eficazes, devemos dar respostas comuns. Por isto, é meu desejo que este Dia também possa envolver, de alguma forma, outras Igrejas e Comunidades eclesiais, e ser celebrado em sintonia com as iniciativas que o Conselho Mundial de Igrejas promove sobre este tema”, escreve o Papa na carta, em que institui este dia, enviada aos cardeais Peter Turkson e Kurt Koch, Presidentes dos Pontifícios Conselhos da Justiça e da Paz e para a Promoção da Unidade dos Cristãos.

No passado os cristãos, para justificarem alguns comportamentos de exploração despótica da natureza, os quais contribuíram para a degradação do ambiente, serviram-se do mandato bíblico do Criador: “…dominai a terra”. Agora o Papa acredita que os cristãos podem dar o seu contributo “para a superação da crise ecológica que a humanidade está a viver”. Não só pela força da oração, em que acreditam, mas também através de uma educação e espiritualidade ecológica que já enunciou na Encíclica “Laudato si’”. No número 218 apelou para que, da mesma forma que noutros aspetos da sua vida devem reconhecer “os próprios erros, pecados, vícios ou negligências, e arrepender-se de coração, mudar a partir de dentro”, também devem fazer o mesmo em relação à Criação. Uma espécie de exame de consciência ecológico. E, do mesmo modo que devem corrigir o seu relacionamento com Deus e com os outros, também se devem empenhar numa conversão ecológica e corrigir uma distorcida relação com a Criação.

Assim, o Papa Francisco, ao desafiar os cristãos de todo o mundo a darem as mãos na defesa da “casa comum”, num mesmo dia promove a aproximação ecuménica e a militância ecológica.

(Texto publicado no Correio da Manhã de 14/08/2015)