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sexta-feira, 13 de maio de 2016

O sonho do Papa

Papa Francisco no Parlamento Europeu a 25/11/2014
Foto retirada daqui
A construção europeia atravessa tempos difíceis. O euroceticismo tem cada vez mais adeptos. A Grécia esteve com um pé de fora e o Reino Unido pondera o abandono do projeto europeu. É neste contexto que foi atribuído ao Papa Francisco o Prémio Carlos Magno, que distingue personalidades que contribuíram para a construção da União Europeia.

Habitualmente o Papa não aceita condecorações. Decidiu, porém, aceitar esta distinção “como um gesto para que a Europa trabalhe pela paz”.

Perante uma plateia em que se destacavam alguns conhecidos políticos europeus, o Papa recuperou preocupações suas que já havia mencionado na visita ao Parlamento Europeu. E questionou: “Que te sucedeu, Europa humanista, paladina dos direitos humanos, da democracia e da liberdade? Que te sucedeu, Europa terra de poetas, filósofos, artistas, músicos, escritores? Que te sucedeu, Europa mãe de povos e nações, mãe de grandes homens e mulheres que souberam defender e dar a vida pela dignidade dos seus irmãos?” 

Com o olhar no passado, e tendo em conta as exigências do presente, o Papa propôs “um novo humanismo baseado em três capacidades: a capacidade de integrar; a capacidade de dialogar; e a capacidade de gerar”. Terminou o discurso com o seu sonho de uma “Europa jovem”, que cuide das crianças, dos jovens e dos idosos, “onde ser migrante não seja delito”. Uma Europa das famílias “que promova e tutele os direitos de cada um, sem esquecer os deveres para com todos”.

Para que o sonho se torne realidade são necessários líderes políticos da estatura dos “pais fundadores” do projeto europeu. Estadistas que consigam vencer os mesquinhos egoísmos nacionalistas e que tenham uma visão de longo prazo. Políticos diferentes das atuais lideranças, da esquerda à direita, que se limitam a gerir uma crise que não conseguiram antecipar, nem conseguem vencer. Que governam ao sabor de uma corrente adversa.

(Texto publicado no Correio da Manhã de 13/05/2016)

sábado, 29 de novembro de 2014

O Papa e a Europa

Papa Francisco no Parlamento Europeu
Foto retirada daqui
O Papa falou ao Parlamento Europeu e deixou uma “mensagem de esperança”. Ele tem “confiança de que as dificuldades podem revelar-se, fortemente, promotoras de unidade, para vencer todos os medos que a Europa – juntamente com o mundo inteiro – está a atravessar”. Dirigiu-se aos deputados europeus com os olhos postos na Turquia – e a pessoa humana foi o tema central do seu discurso.

A alusão à Turquia – o país que começou hoje a visitar – é evidente quando propõe o diálogo com os países que pretendem entrar na União Europeia, nomeadamente os países da “área balcânica” e os que confinam com ela. Referiu-se em particular aos que “assomam ao Mediterrâneo, muitos dos quais sofrem por causa de conflitos internos e pela pressão do fundamentalismo religioso e do terrorismo”.

No final deixou um apelo à construção de uma Europa “não em torno da economia, mas da sacralidade da pessoa humana, dos valores inalienáveis”. Uma Europa “que abraça com coragem o seu passado e olha com confiança o seu futuro, para viver plenamente e com esperança o seu presente”.

Ao longo de todo o seu discurso sublinhou por diversas vezes “a centralidade da pessoa humana”. Recordou aos parlamentares que “no centro deste ambicioso projeto político, estava a confiança no homem, não tanto como cidadão ou como sujeito económico, mas no homem como pessoa dotada de uma dignidade transcendente”. E alertou para o perigo “de ser reduzido a mera engrenagem dum mecanismo que o trata como se fosse um bem de consumo, de modo que a vida, quando deixa de ser funcional para esse mecanismo, é descartada sem muitas delongas, como no caso dos doentes, dos doentes terminais, dos idosos abandonados e sem cuidados, ou das crianças mortas antes de nascer”.

Ainda bem que vozes como a do Papa Francisco se elevam para reclamar a “centralidade da promoção da dignidade humana” e dar algum ânimo a uma União Europeia órfã de líderes com a dimensão dos seus pais fundadores. Agora, entregue a lideranças subservientes com o “poder financeiro ao serviço de impérios desconhecidos”, a que o Papa se referiu, parece mais empenhada com o controlo do deficit do que em resolver os graves problemas sociais dos europeus. É isto que tem de mudar.

(Texto publicado no Correio da Manhã de 28/11/2014)