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sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Oração ecológica

Foto retirada daqui
O Papa Francisco estendeu ao mundo católico uma Jornada de Oração Mundial pela Criação, já celebrada pelos Ortodoxos. A partir deste ano, no dia 1 de setembro os católicos juntam-se aos ortodoxos para rezarem pelo ambiente. O Papa pretende que outras confissões cristãs, como os evangélicos e os anglicanos, se associem também a esta iniciativa. Deste modo, para além de um dia dedicado à ecologia, ele pretende que esta Jornada seja também ecuménica, de unidade entre todos os seguidores de Cristo.

“Vivemos num tempo em que todos os cristãos enfrentam idênticos e importantes desafios, diante dos quais, para ser mais críveis e eficazes, devemos dar respostas comuns. Por isto, é meu desejo que este Dia também possa envolver, de alguma forma, outras Igrejas e Comunidades eclesiais, e ser celebrado em sintonia com as iniciativas que o Conselho Mundial de Igrejas promove sobre este tema”, escreve o Papa na carta, em que institui este dia, enviada aos cardeais Peter Turkson e Kurt Koch, Presidentes dos Pontifícios Conselhos da Justiça e da Paz e para a Promoção da Unidade dos Cristãos.

No passado os cristãos, para justificarem alguns comportamentos de exploração despótica da natureza, os quais contribuíram para a degradação do ambiente, serviram-se do mandato bíblico do Criador: “…dominai a terra”. Agora o Papa acredita que os cristãos podem dar o seu contributo “para a superação da crise ecológica que a humanidade está a viver”. Não só pela força da oração, em que acreditam, mas também através de uma educação e espiritualidade ecológica que já enunciou na Encíclica “Laudato si’”. No número 218 apelou para que, da mesma forma que noutros aspetos da sua vida devem reconhecer “os próprios erros, pecados, vícios ou negligências, e arrepender-se de coração, mudar a partir de dentro”, também devem fazer o mesmo em relação à Criação. Uma espécie de exame de consciência ecológico. E, do mesmo modo que devem corrigir o seu relacionamento com Deus e com os outros, também se devem empenhar numa conversão ecológica e corrigir uma distorcida relação com a Criação.

Assim, o Papa Francisco, ao desafiar os cristãos de todo o mundo a darem as mãos na defesa da “casa comum”, num mesmo dia promove a aproximação ecuménica e a militância ecológica.

(Texto publicado no Correio da Manhã de 14/08/2015)

sábado, 20 de junho de 2015

A encíclica verde

Foto retirada daqui
Na Encíclica “Laudato si” o Papa Francisco junta a sua voz à da terra que “clama contra o mal que lhe provocamos por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou” (nº2).

O texto ontem apresentado no Vaticano dá continuidade ao discurso ecológico introduzido por Paulo VI no magistério social da Igreja. Em 1971, na carta apostólica “Octogesima adveniens” para comemorar a publicação da “Rerum novarum” de Leão XIII, “referiu-se à problemática ecológica, apresentando-a como uma crise que é ‘consequência dramática’ da atividade descontrolada do ser humano”, recorda o Papa Francisco noº4 da sua última Encíclica. João Paulo II propôs a fundamentação bíblica e teológica destas questões. Bento XVI assumiu e aprofundou o pensamento do seu antecessor, chegando mesmo a ser apelidado como “o primeiro papa verde” pela revista National Geographic, de 28 de fevereiro de 2013.

Francisco é o primeiro Papa a dedicar um texto com a relevância de uma Encíclica à problemática do ambiente.

A preocupação que ele procura suscitar é traduzida pela questão: “Que tipo de mundo queremos deixar a quem vai suceder-nos, às crianças que estão a crescer?” Com uma linguagem frontal, que não se submete à lógica do politicamente correto, critica os governos e as grandes empresas que contribuem para a degradação ambiental e o acentuar da pobreza. Denuncia o consumismo e a divinização do mercado.

“Convém evitar uma conceção mágica do mercado, que tende a pensar que os problemas se resolvem apenas com o crescimento dos lucros das empresas ou dos indivíduos” (nº 190). Mas também censura aqueles que se preocupam mais com o desaparecimento de algumas espécies do que com os atentados contra a vida humana, como o aborto, ou o desaparecimento de uma cultura. Por isso, propõe uma ecologia integral que não seja só ambiental, mas que inclua também as dimensões humanas e sociais.

Para salvar, não só o planeta, mas também a humanidade e a sociedade, convoca todos e acredita que “nem tudo está perdido, porque os seres humanos, capazes de tocar o fundo da degradação, podem também superar-se, voltar a escolher o bem e regenerar-se, para além de qualquer condicionalismo psicológico e social que lhes seja imposto” (nº 205).

(Texto publicado no Correio da Manhã de 19/06/2015)